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Páscoa – Vila Zelina

Páscoa – Vila Zelina

Vila Zelina

  • Autor: O Mundo Cabe em SP
  • Data da Publicação: sábado, 10 maio 2014. 13:47
  • Categoria:
  • Endereço: Rua Aracati Mirim - Vila Alpina
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Fomos na Rua Aracati Mirim visitar a feira de páscoa das comunidades imigrantes de Vila Zelina e adjacências, organizada pela AMOVIZA para promover a cultura do Leste Europeu dentro da cidade de São Paulo.

Não espremida, mas delimitada – a rua parece existir para fazer fronteira e dar acesso ao Senai Vila Alpina e ao Parque Ecológico de Vila Prudente, como se os dois espaços tivessem sido  uma coisa só que cindiu, moveu e fez brotar da terra uma ruela sem saída, talvez desimportante pra quem olha de fora – mas esse tipo de rua é sempre um cantinho da melhor qualidade, e a Associação de Moradores e Comerciantes do Bairro de Vila Zelina, AMOVIZA, teve o olho para isso (e ainda nos pouparam de ver a palavra “amor” forçada na sigla, como associações de bairro costumam a-do-rar).

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Outro mistério é o que, afinal e exatamente, é este lugar. A convite da equipe do Mundo Cabe em São Paulo, desci no metrô Vila Prudente para traçar um bocadinho da avenida Salim Farah Maluf de ônibus, encarar uma subida e lá pelo meio do morro entranhar essa ruela, já perdida na geografia: isso aqui é Vila Prudente, Vila Alpina ou Vila Zelina? Nada disso, é Leste Europeu. A feira também como que brota da terra, do outro lado do mundo se enterra e floresce na ruela insuspeita; andar aqui é fazer a média entre as muitas comunidades imigrantes que se instalaram na região, imitando suas proximidades geográficas originais num único espaço que parece querer gritar aquele jargão do caldeirão (multi)cultural. Sinto dizer que não sou dada a evitar clichês, e entrando lá não dá outra: todo mundo muito brasileiro e muito sorriso cheio de dentes, gente da nova geração ou que veio muito pequeno e que já incorporaram o calor (estereo)típico do Brasil brasileiro (tanto que preciso nem apontar do nome tupi da rua).

Para além da opção tropical na hora de imigrar, os brotos dessas famílias se reúnem pelo desejo de manter vivas e resgatar suas raízes, a ponte Europa-Brasil, fortalecendo as fundações culturais para que mais pessoas pisem e se interessem por este novo aqui, a terceira coisa que existe em Vila Zelina: a riqueza cultural que trazem fica também um tanto paulistana, e para todos nós, brasileira.  A feira demonstra um esforço de integração das comunidades entre si, e à cidade, trazendo à tona culturas que contrastam num único espaço de convivência e expressando a diversidade. Mas será que esta região pode se fazer cara do leste europeu em São Paulo? As pessoas que aqui moram e trabalham presam por suas origens, pelas tradições contadas pelos avós, pela língua, pelas danças e pelo folclore, muito presentes nas festas e feiras promovidos pelas entidades de cada comunidade, para além do trabalho da associação de moradores – e que se condensam na Rua Aracati Mirim.

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As feiras vem acontecendo com regularidade desde 2011. Fui à feira de páscoa, uma das muitas temáticas que já estão programadas para todo o ano (com a Feira do Leste Europeu de Vila Prudente – Especial de Dia das Mães despontando no já próximo 4 de maio), e entrando na ruazinha charmosa – que olhando da boca da rua pra dentro não parece divergir em muito de sua feira de artesanato de bairro – fui conhecer um pedaço da Lithuânia, da Bulgária, da Romênia, da Rússia, da República Tcheca. Da Polônia, da Ucrânia, da Bielo-Rússia, da Croácia, da Eslovênia, da Letônia e da Eslováquia. Ufa!

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E haja vontade e água na boca! O forte aqui são as tradições gastronômicas e práticas artesanais. Como era páscoa, destaque para as diferentes técnicas de pintura de ovos – cada país tem a sua, e as técnicas lithuana e polaca tiveram workshops dedicados – coisa séria, mais que brincadeira de criança, embora elas também fossem bem-vindas! Para além disso a feira contava com a presença do Automóvel Clube Vila Zelina, expondo carros de época bem conservados, e o grupo Escudo dos Vales, entusiastas pela recriação histórica equipados com réplicas de armaduras, espadas, facas e peles utilizadas pelos grupos medievais que guerreavam naquelas bandas frias do que então ainda nem era Europa.

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Para o paladar, muita coisa que minha língua travaria de dizer o nome. Muitas consoantes, sabe? Mas que na boca derretem – bolinhos de batata recheados com carne suína cobertos por molho de couve, cortesia da República Tcheca, que tem ainda deliciosas linguiças, doce de abóbora e frutos secos da Bulgária, uma seleção de bolos tradicionais da Lithuânia. Chegamos cedo e fomos conversando, no momento de fazer o rolê gastronômico metade das iguarias já tinham nos escapado guela abaixo dos outros visitantes (benditos! Nos pegaram de surpresa, estavam lá só rondando e espreitando e nem vimos que nada sobraria…) – ficamos na vontade de muita coisa, o que não é de se reclamar – só significa que vamos ter que ir ali mais vezes para degustar o cardápio completo.

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De barraca em barraca, cada um ali tem uma cultura, uma família e uma história – tem que arriscar uma conversa e uma simpatia, ficar atento e interessado que talvez um velhinho ucraniano acompanhado de seus filhos comece a falar na língua natal com a moça da barraca à sua frente, enquanto o filho te tira para o lado e clama o aniversário do pai centagenário… E isso de uma feira com os mesmos toldos brancos que vemos para vender no setor de jardinagem do Carrefour. Entre ali, coma algo que nunca comeu antes, mas pare e enrole um pouco, sente e preste atenção. À sua volta no miúdo e no alheio você vai poder ver e o ouvir o coração vivo e renovado das muitas comunidades imigrantes, se estiver aberto para encontrar em São Paulo este novo Leste Europeu.

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